diana de hollanda



~ 16.5.06

1.
Mesmo quando me saboto, estou a meu favor. Minto pra qualquer um dos lados. Sim ou não é a mesma besteira. O tipo de prazer, doído ou não, que é diferente. O prazer não doído dói também, perco tempo mentindo. Perderia o tempo de qualquer maneira, não perco nada.

2.

De metade do que faço não preciso. De dois terços do que faço não preciso. Muda pouco se me deito e ignoro o dia. Também de estar deitado e apático não preciso. De noventa por cento do que faço não preciso. A singularidade das coisas não me comove; de inventar que me comove eu preciso.

3.

Quando não quero música, ponho silêncio. Se quero sempre, nem sempre a música que quero eu conheço.
Não sei se tem a ver: Vez por outra pergunto: Como se faz alguma coisa? Se faço sempre, minha impressão é de que estou sempre fazendo nada.

4.

O meu sonho preferido é
Jogo fora o tempo; com esforço, posso mudar.
Já me esqueci de que mudei e deu no mesmo.
Então volto a perguntar, Como se faz alguma coisa? O que você está fazendo?
O meu sonho preferido é
Estou fazendo pouco; com esforço, posso melhorar.
Já me esqueci de que melhorei e deu no mesmo.

(hoje outra vez não fiz nada. não sei como é de outra forma. conheço pessoas que fazem isso e aquilo. se estivesse no lugar delas, fizesse muitas coisas, diferentes das que já experimentei, e entre si, e das que vou experimentar, se estivesse o dia inteiro ocupada, e me orgulhasse disso, ainda assim, desconfio, não estaria fazendo nada.)


5.

Continuarão sendo apenas coisas, as coisas da vida. Não sei por que me forço a esquecer que já aprendi tudo isso. Por que me debato, procurando salvar-me, de que poderia salvar-me? eram essas coisas, apenas essas, as coisas da vida. Poderia estar bem, não me esquecesse da impossibilidade de ser feliz; poderia estar bem, vivendo por aí, somente vivendo, somente as coisas da vida.


diana.hollanda@gmail.com

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