diana de hollanda



~ 26.10.06

construção

meu pai associa respeito a idade, e idade com, sei lá, irmãos?
meus irmãos projetaram vidas, chegaram na idade de projetar vida?
o momento Já estou na fase de, Daqui a pouco, eu; o tempo.
não me mato; quando descobri tinha clarice no meio, A vida é.
A vida é - grande merda.
veio o filósofo e me disse Grande merda.
na época não entendi, fechei os olhos, continuei me debatendo,
mas são cinco os sentidos, e não tapei a orelha como para sinopses de filmes.
o que chamam de depressão é a doença da vida.
problema:
por mais que nada se faça, as coisas continuam vindo.
(o ponto final é do fim; se não me mato, está tudo a ser construído.)
engraçado, o filósofo construía com É tudo ruim; o amor era um livro de cabeceira.
tem gente que constrói maldizendo a vida.
arrumei um jeito de construção, tem a ver com o Carpe Diem:
o dia é, não há o que contestar nem deslumbramento.
não me mato enquanto vivo.
não há projetos,
encontrei uma maneira de construir que nem o poema do vinícius, Infinito enquanto dure, preciso apenas continuar trabalhando sem futuro - o dinheiro.
amar seria bom, e que o amor destruísse comigo.

~ 23.10.06

tentei explicar que tenho o direito de não construir.
outro dia me deu um sermão mais ou menos assim, Você não cuida de nada; acho que essa era a crítica. não sei se verdadeira, não sei que relevância tem. não entendo muito o verbo cuidar. cuidar não é preservar e preservar não é deixar de explorar, de gastar, de experimentar, enfim,?, não entendo muito bem qual é o erro de não cuidar das coisas, era um sermão, tenho certeza.

~ 22.10.06

o ponto de equilíbrio não está no coração. não sei de onde você inventou isso, parece com aquele amigo, o filósofo, ele dizia, Minhas peças só se encaixam assim, falava de Dois, do Par, de Nós, a diferença é que você põe tudo a perder,
escreve e-mails desesperados, agride, ridiculariza; não, ele fazia isso também. mas, quanto a ele, quem pôs a perder fui eu, chato ganhar, depois que se ganha tem o quê? de qualquer maneira, não lembro de como perdi, significa que não significou grande coisa.
o ponto de equilíbrio está em todos os deslizes, e mais: na gargalhada, na gargalhada.
você já aprendeu a rir? se sim, sabe é impossível que o coração tenha qualquer coisa a ver com isso. resta a solidão patética e divertida, a soma de álcool e conhecidos; para nós um lembrete, terça dois por um ainda existe.

diana.hollanda@gmail.com

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